|
Javascript DHTML Drop Down Menu Powered by dhtml-menu-builder.com
|
|

Paróquia Nossa Senhora da Assunção
No princípio do século XVI, Grândola, não passava de uma insignificante aldeia, pertencente à comarca de Setúbal e ao termo de Alcácer do Sal. D. Jorge de Lencastre, duque de Coimbra, filho legitimado de D. João II, sendo inclinado aos exercícios venatórios, vinha com frequência fazer caçadas à serra de Grândola, onde então havia muita caça grossa e miúda. E tanta predilecção tomou ao sitio que mandou fazer um palácio nas fraldas da serra, junto à referida aldeia, e ali assistia a maior parte do ano.
Como Grândola era então do termo de Alcácer do Sal, D. Jorge, desejando torná-la independente, pediu a D. João III o fôro de vila para a sua aldeia, o que o rei lhe concedeu, em 1543.
Conta-se, como pretexto ou causa principal para que o duque pedisse, o foro de vila, o facto seguinte: Achando-se D. Jorge à janela do seu palácio, olhando para a mata, que lhe ficava em frente e próxima, um furioso e corpulento javali, rompendo com fúria o mato, veio esbarrar ao terreiro do palácio. O duque, apenas o viu, chamou pelos criados e vassalos, e subiu a montear o javali. Faltou-lhe, porém, o mais destro e ousado dos seus monteiros, e o animal escapou. O monteiro faltara por ter de comparecer a uma audiência judicial em Alcácer do Sal, para a qual fora citado, e a cuja jurisdição pertencia Grândola. O duque para evitar a repetição d'estes casos, pediu a D. João III o foral de vila e justiças próprias para Grândola.
A igreja matriz era muito pequena e velha, e D. Jorge reconstruiu-a e ampliou-a com magnificiência.
A paróquia teve primitivamente prior e dois beneficiados, todos freires de S. Tiago, providos pelo mestre da ordem, mas o arcebispo de Évora, D. José de Mello, ursupou esta regalia.
in "Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular" de Americo Costa

A vila de Grândola dedicou a sua Igreja Matriz à Virgem Nossa Senhora da Assunção, sendo esta Senhora a sua efectiva Padroeira.
Para melhor esclarecimento dos leitores, passo a transcrever do «Santuário Mariano» (Tomo Sétimo - Livro VI - Título III), a seguinte passagem:
«Da Milagrosa Imagem de Nossa Senhora da Assunção de Grândola»
«A Vila de Grândola... tem no meio da sua povoação a sua Igreja Matriz, que é para os seus moradores uma inexpugnável fortalesa, e de tanta estimação para eles, que com esta fortaleza se reconhecem muito bem defendidos de todos os seus inimigos; e esta Casa sendo dedicada à Virgem Nossa Senhora da Assunção, o amparo, o alívio, e a consolação de todos os seus moradores, e devotos da Senhora; e assim tem com ela muito grande devoção, e confessam todos que a Senhora é a sua espiritual defensora em tudo, porque ela os livra de todos os trabalhos, perigos e tribulações, e assim confessam, que vivem seguros debaixo do seu amparo; com este conhecimento, e na grande confiança, que dela fazem, reconhecem os seus muitos e grandes favores; antes que aquela Povoação tivesse a prerrogativa de Vila, davam à Senhora o Título de Nossa Senhora da Abendada; mas como todas as Vilas, e Cidades depois de El-Rei D. João o I para cá são dedicadas a este mistério, por isso se lhe mudou o título».
É por isso também que a freguesia de Grândola por ser consagrada a Nossa Senhora da Assunção, se denomina oficialmente FREGUESIA DE NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO DA VILA DE GRÂNDOLA.
Há até notícia de que no dia 15 de Agosto que no Calendário Litúrgico é dedicado a Nossa Senhora da Assunção, se praticavam em Grândola várias solenidades religiosas, de entre as quais se destacava uma Procissão solene de consagração, o que desde há muitos anos se não faz.
in "Da Nossa Senhora da Penha de França a protectora dos grandolenses" de Manuel Costa Gaio Tavares de Almeida

|